Como nunca desde a Revolução Islâmica de 1979, slogans contra o governo agitaram de bazares a cidades periféricas, atravessando classes, regiões e gerações. Não se trata de excessos episódicos de emissários locais, mas de um comando do topo: esmagar a dissidência pelo pavor absoluto. A repressão pode ter sufocado esta rodada de protestos, mas aprofundou de forma irreversível o fosso entre regime e sociedade. Mas fechar os olhos, relativizar o horror ou tratar o massacre como detalhe geopolítico é abdicar do mínimo critério moral. O certo é que, ao tentar dar uma demonstração de força, o governo expôs sua fraqueza e seu medo.
Source: O Estado de S. Paulo February 02, 2026 15:43 UTC