O fim da lista tríplice blinda as universidades públicas federais do arbítrio. Tanto é assim que a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) comemorou, afirmando que a medida representa uma conquista das universidades federais, “ao assegurar o respeito à escolha democrática realizada pelas comunidades acadêmicas e fortalecer o princípio constitucional da autonomia universitária”. Mas, como bem escreveu o sociólogo Simon Schwartzman, em artigo publicado recentemente no Estadão, o fim das listas tríplices consagra apenas uma faceta da autonomia universitária: a autonomia política. Não restam dúvidas, portanto, de que só autonomia política não basta. Nada indica que professores, dirigentes e sindicalistas das universidades federais estejam dispostos a ter de fato autonomia a ponto de arcarem com seus eventuais fracassos.
Source: O Estado de S. Paulo March 19, 2026 06:03 UTC