As taxas de juros no Brasil são estruturalmente altas, mais elevadas do que em vários países. Segundo economistas, há uma série de fatores para explicar isso: o desequilíbrio das contas públicas e o baixo nível de poupança, a insegurança jurídica que “premia” maus pagadores e favorece a inadimplência, a baixa concorrência bancária e o excesso de crédito direcionado, que tem regras e taxas definidas por regulação. — Para chegar a esse ponto (de ter um juro tão mais alto do que os demais países), é difícil escolher uma causa única, mas poria no topo da lista o papel do próprio Estado nessa história, na política fiscal, no endividamento — disse o ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga, sócio da Gávea Investimentos, em debate durante o XII Seminário Anual de Política Monetária do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), na última segunda-feira, no Rio. Segundo José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV Ibre e anfitrião do evento, o ponto de partida é que, na economia brasileira, a taxa de juros “de equilíbrio”, ou “natural” — aquela que nem estimula nem retrai o crescimento econômico — já é mais elevada:— O juro de equilíbrio é muito alto no Brasil porque os participantes de mercado percebem um risco elevado ao negociar no nosso país. Continuar Lendo
Source: O Globo April 10, 2026 07:06 UTC