Esta semana, morreu aos 105 anos, em Roma, Letizia Mowinckel, viúva de um diplomata americano, amiga dos costureiros europeus e consultora informal de moda da chique Jacqueline Kennedy, primeira-dama dos EUA com John Kennedy (1961-63) presidente. Entre 1967 e 1971, ela e seu marido, John Mowinckel, adido cultural na Embaixada americana, no Rio, foram um dos casais mais vistosos da Ipanema clássica. Numa época de enorme conturbação política, Mowinckel, festivo, boa praça, de sunga, bronzeado e falando perfeito carioquês, era tido divertidamente como espião da CIA pelos intelectuais e artistas, todos de esquerda, com quem confraternizava na praia e nas altas feijoadas que promovia. Mesmo tendo atuado durante a Segunda Guerra na OSS, berço da CIA, Mowinckel era folclórico demais para ser espião. Em 1969, ao decidir sequestrar um diplomata americano para atacar a ditadura, os rapazes da guerrilha cogitaram pegar Mowinckel.
Source: Folha de S.Paulo April 05, 2026 17:54 UTC