A recepção crítica ao filme O Agente Secreto (2025), dirigido pelo cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, configura um caso exemplar para a análise dos pressupostos normativos que orientam o discurso crítico cinematográfico contemporâneo. O longa igualou o recorde do filme Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002) com quatro indicações ao Oscar 2026: Melhor Filme; Melhor Ator (Wagner Moura); Melhor Filme Internacional; Melhor Direção de Elenco (Casting), em categoria inédita para Gabriel Domingues. Anteriormente, fez história ao ser o primeiro filme brasileiro indicado em três categorias principais do Globo de Ouro 2026, vencendo em duas: Melhor Filme em Língua não Inglesa, Melhor Ator em Filme de Drama (Wagner Moura), indicação de Melhor Filme de Drama. A polarização das avaliações a respeito do filme O Agente Secreto, longe de constituir mera divergência de gosto, evidencia tensões estruturais entre diferentes concepções de cinema político, de articulação narrativa e de função crítica. A insistência crítica em responder definitivamente à pergunta “quem é o agente secreto?” sintetiza o desejo de fechamento interpretativo.
Source: Folha de S.Paulo February 05, 2026 20:26 UTC