Publicada há três anos, uma estimativa ainda espanta: em 2098, haverá mais mortos do que vivos no Facebook. Os espaços que distinguem os dois mundos são cuidadosamente demarcados, a tal ponto que morrer transforma-se em uma questão também geográfica. Como lembra o professor de filosofia Oswaldo Giacoia Jr., da Unicamp, em “A Visão da Morte ao Longo do Tempo”, a intuição hoje predominante é a da morte como um mal “a ser removido, suprimido”. Preparado para as novas tendências, o Facebook faz sua parte: qualquer conta pode ser deixada de herança a familiares, amigos ou a quem requisitar. Em um mundo sem fronteiras, sem limites geográficos ou bom senso, morrer se transforma em esperança cega de estar entre os vivos.
Source: Folha de S.Paulo May 18, 2019 10:52 UTC