Durante uma viagem de Paris a Seul, na Coreia do Sul, leio J’ai choisi la vie (Eu escolhi a vida), que trata da vida de um antropólogo que odiava viajar: Claude Lévi-Strauss (1908-2009). No livro, o escritor Marc Lambron, da Academia Francesa, entrevista Monique Lévi-Strauss, viúva do antropólogo, a terceira mulher com quem ele se casou, e traz as recordações de uma união de quase sessenta anos. Na conversa com Lambron, Monique rememora, inicialmente, episódios de sua própria vida moldados pela origem judaica (por parte de mãe). Temendo o pior, a mãe judia resolveu ser batizada na Igreja Católica e pediu que a própria Monique a acompanhasse, forçando a filha a “abrir um parêntese” no seu ateísmo, adotado havia algum tempo. O fato paradoxal, como salienta Monique, é que em Paris a família poderia estar exposta a uma denúncia, já que era notória sua ascendência judaica, ao passo que na Alemanha ninguém a conhecia.
Source: Folha de S.Paulo February 05, 2026 02:50 UTC