No entanto, Ana lembra que das cinco mulheres que estavam juntas no sótão da Esma onde opositores da ditadura eram recluídos e torturados apenas duas não desapareceram. Hoje, as que podem falar porque tiveram o privilégio da vida, estão falando com a força que nos deram as jovens. — Somente agora conseguimos pensar sobre o que nos aconteceu desde uma perspectiva de gênero e entender as sequelas que esses abusos tiveram em nossas vidas — assegurou Alejandra Naftal, curadora da exposição e também sobrevivente da ditadura. Mulheres jovens que chegavam ao Museu da Esma, comentou Alejandra, “queriam saber como tinha sido a experiência feminina na época da ditadura”. — Dentro da Esma a questão de gênero funcionava da mesma maneira que do lado de fora, só que com uma crueldade sem fim.
Source: O Globo April 03, 2019 11:34 UTC