Por meio da obra desse autor, também mineiro, a vida de operários volta, enfim, ao cinema brasileiro de ficção, universo em que é tão raramente retratada. Assim, "Redemoinho" se aproxima de "Eles Não Usam Black-tie" (1981) no olhar apurado para o cotidiano dessa classe média baixa. A beleza e o impacto do filme estão, em grande parte, fundados em sua austeridade, em sua recusa aos ornamentos narrativos e estéticos. Assim são os diálogos do roteiro de George Moura, que se prendem apenas ao que está imbuído de sentido. O lirismo amargo de "Redemoinho" não existiria sem a precisão dos enquadramentos –é um filme, portanto, para ser visto no cinema.
Source: Folha de S.Paulo February 09, 2017 04:06 UTC