Elas expressam, antes de tudo, a forma como o espaço urbano foi historicamente produzido no país: um modelo de urbanização excludente, financeirizado e ambientalmente insustentável, cujas contradições emergem com força a cada temporada de chuvas. O discurso dominante costuma atribuir as enchentes à “chuva acima da média” ou aos “eventos extremos” associados às mudanças climáticas. O espaço urbano e suas formas de produção desaparecem da frase. Ele está profundamente ligado à lógica de valorização imobiliária e à financeirização do espaço urbano. Muitas vezes, o que classificamos como “área de inundação” corresponde, na realidade, ao leito maior do rio, espaço integrante de sua dinâmica natural, ocupado pela água apenas em períodos de cheias intensas.
Source: Folha de S.Paulo March 13, 2026 00:44 UTC