Na avalanche de mortes, a da criança pobre que despenca na negligência da patroa é mais que notícia triste. No momento em que pandemia já ceifa a vida de um brasileiro a cada minuto, a madame faz a unha e lava as mãos para o filho da doméstica que não tem direito a quarentena, medida de proteção que virou também privilégio. Gente que age como se fosse imune ao vírus e ao sofrimento de uma legião de desassistidos. Na palavra que aquece, no riso que acalma, na mão que acaricia. O home office vira o "hell office", numa sucessão infindável de afazeres que se se atropelam.
Source: Folha de S.Paulo June 08, 2020 10:30 UTC