Mesmo em um ambiente de desaceleração inflacionária e de afrouxamento da política monetária global, o Brasil segue com suas taxas de juros reais de longo prazo entre as mais altas do mundo —próximas, inclusive, dos patamares mais elevados da sua própria série histórica. A sustentabilidade da dívida pública depende de quatro variáveis: resultado primário, crescimento econômico, nível de endividamento e taxa real de juros. Superávits recorrentes e crescimento sustentado ajudam a estabilizar a dívida; já juros elevados e alto endividamento atuam no sentido oposto. A esse quadro soma-se um outro vetor que pressiona os juros reais: a deterioração da previsibilidade institucional. Insistir em que a queda estrutural dos juros reais no Brasil depende do Banco Central é um erro de diagnóstico.