O travessão já existia na Idade Média e se consolidou com o advento da imprensa, fazendo o meio de campo com os parênteses, a vírgula e o ponto e vírgula. O travessão, não: ele abre uma clareira no texto, manda as palavras em volta calarem a boca e diz o que tem de dizer, na lata. Se o ponto e vírgula se esforça para organizar, o travessão apita e manda parar o jogo. Rubem Braga, o maior de todos os cronistas, usava travessão:— Tomamos uma modesta cerveja e falamos de coisas antigas — mulheres que brilharam outrora, madrugadas dantanho, flores doutras primaveras. O travessão nasceu bom — a IA é que o corrompeu, transformando-o numa fórmula, numa ilusão de espontaneidade.